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Rozimar Gomes da Silva Ferreira
Rozimar Gomes da Silva Ferreira
   
Publicações no Site Discurso de posse Patrono: Murilo Mendes Cadeira 38 Envie um e-mail para este membro

 

Saudação à Professora Rozimar Gomes da S. Ferreira em 5-12-2008
Por: Lúcia Maria Sant’Ana Costa

Boa noite! Reunidos neste harmonioso encontro, saúdo confrades, confreiras, senhora presidente, demais presentes e, em especial, as neoacadêmicas Rozimar Gomes da Silva Ferreira e Jacyra Sant’Anna.
Dirijo-me, agora, a Rozimar que me conferiu a honra de amadrinhá-la nesta solenidade de sua posse na Academia de Letras de Viçosa.
Abrirei parênteses para lhes apresentar um texto que há muito escrevi sobre esta minha afilhada:

Como Vai, Profa. Rosimar?

Voltávamos da cerimônia de lançamento do maravilhoso livro Chiquita Broinha, “O Presente”, trabalho de sucesso da escritora Maria Aparecida Silva Simões, presidente deste Sodalício.
A Profa. Rozimar, gentilmente, conduzira-me até o local do evento e depois me levara de volta. Dentro do carro, parado à frente da minha casa, tentamos colocar a conversa em dia. De repente, um jovem coloca o rosto dentro da janela e pergunta: “Como vai, profa. Rozimar? Lembra-se de mim? Fui seu aluno de Literatura e a senhora me conduziu ao mundo das letras. Suas fantásticas explanações despertaram em mim o desejo de conhecer Machado de Assis, José de Alencar, Guimarães Rosa, Drummond e tantos outros que, desde aquela época, não parei mais de ler. Agora partirei para a Literatura Internacional. Tudo isso eu devo à senhora, à sua dedicação ao ensino, à sua eloqüência, ao seu trabalho sério e digno. Muito obrigado por tudo que a senhora fez por mim e por tantos outros alunos que, como eu, tiveram a felicidade de ter uma mestra tão gabaritada.”
Pega de surpresa, Rozimar agradeceu-lhe acrescentando ainda algum toque de gentileza à sua fala. Chamou-o pelo nome (que memória!), desejou-lhe felicidades e lá se foi seu ex-aluno rumo aos seus compromissos.
Retomamos a prosa e, novamente, fomos interrompidas. Desta feita por Rodrigo, um dos seus sobrinhos, que carinhosamente a cumprimentou: “Oi tia, como está?” Ela contou que voltávamos da referida solenidade. Ao que ele complementou: “A senhora gosta MESMO de estudar e de escrever. Agora só precisa correr o mundo para beber na fonte dos escritores que a senhora tanto gosta e admira, e viver a emoção das grandes bibliotecas como a de Coimbra, em Portugal, por exemplo”.
Fez mais alguns comentários, beijou a tia e lá se foi.
Assim é Rozimar. Doa-se por inteiro ao que faz, “fabrica” tempo, corre muito para dar conta de tanta responsabilidade. Tudo isso sem deixar de “lamber as crias”. Celular à mão, localiza-as onde estiverem e sempre abre o seu coração dizendo: são meus tesouros, ótimos filhos, sou privilegiada por tê-los trazido ao mundo. Eles compensam todo o sacrifício que faço na vida, todas as tribulações e até mesmo alguns desencantos. São lindos presentes que Deus me deu.
Nos últimos anos, acumulou funções de professora e revisora. De segunda a quinta-feira, ministra aulas em Viçosa, e no final de semana no estado do Espírito Santo, onde muitos estudantes aguardam por ela nos seus cursos de Pós-graduação!
Volta para Viçosa no finzinho da semana onde se junta aos seus e, em vez de descansar, mais trabalhos... À frente do computador revisa textos e assessora seus orientandos e tantos outros que solicitam a normalização ou adequação lingüística de suas pesquisas. Tudo isso sem descuidar dos seus filhos, do marido, dos pais, irmãos, afilhados e sobrinhos. Para eles sempre há um tempinho.
Por algumas vezes, Rozimar já esteve internada no HSJB, ao que tudo indica, por problemas decorrentes do seu corre-corre, e, segundo ela mesma, só se cura quando, ainda convalescente, retoma suas leituras e seu trabalho.
Sintam-se todos apresentados à incrível pessoa que é a Professora Rozimar.
Quanto ao seu currículo, sua primeira formação foi no Magistério, seguindo-se a Licenciatura em Letras.
Depois cursou algumas especializações, em nível de pós-graduação, e tornou-se mestra em Língua Portuguesa e em Letras: Literatura Brasileira.
Sempre considerou sua primeira profissão a de professora, tendo já completado 28 anos de efetivo exercício na Educação Básica, sendo a maior parte deles nas últimas séries do antigo Ensino Médio, na Escola Estadual Dr. Raimundo Alves Torres.
Mais de 10 anos em Ensino Superior: Fagoc, em Ubá, Departamento de Jornalismo; UFV Departamento de Letras; Unipac, Coordenação e Metodologias; e Esuv Português Instrumental no Curso de Direito.
Trabalha há cinco anos em Cursos de pós-graduação da Evata, em Viçosa, das Faculdades Integradas de Jacarepaguá – no Rio de Janeiro e Espírito Santo, e da Doctum em Caratinga.
Proferiu várias palestras em diversas instituições de ensino superior, pela Superintendência Regional de Ensino e no Simpósio de Iniciação Científica da UFV, predominando nessas atividades temas de Ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Metodologia científica.
Revisou muitos textos: Só para o Centro de produções Técnicas – CPT, até setembro de 2007, foram 70.000 páginas de livros revistas e manuais. Orientou 56 monografias distribuídas entre a UFV, a Unipac e a Evata.
Revisou e prefaciou livros de importantes escritores.
Possui também uma produção acadêmica muito significativa: A Língua Portuguesa no Ensino Médio Público: Reflexões, publicado pela editora da UFV, Contos na coletânea Encontros em Contos, também pela UFV, e poemas em Momentos Diversos.
Organizou recentemente a coletânea Folclore e Literatura, contando com a colaboração de outros seis escritores.
Elaborou textos de mais de 30 livros reeditados dos Cursos do CPT, dentre os quais os de maior afinidade com sua área: Comunicação para o Sucesso Pessoal – Programação Neurolinguistica, Leitura Dinâmica, Treinamento de Recepcionista e Gerenciamento do Tempo.
Encerrando a minha fala, acrescento algo a seu currículo:
Segundo sua filha, quando prepara as suas malas de viagem, metade da sua bagagem é constituída de livros!
Obrigada!


SAUDAÇÃO

Das muitas coisas do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança o aconchego do meu lar,
No fim da tarde, quando tudo se aquietava,
A família se ajuntava lá no alpendre a conversar.

(Padre Zezinho)


Nasci na cidade de Teixeiras-MG, onde vivi intensamente os prazeres da infância. Tenho hoje muita dificuldade em lidar com a cronologia daqueles dias, pois me parecem muito restritos diante do gigantesco baú de lembranças onde guardo com preciosas chaves a vivência harmoniosa em família, entre vizinhos e com os amigos.
Na família, as casas dos tios, dos avós, os batizados e os casamentos com roupas novas, e as visitas dos parentes da cidade grande dariam memoráveis romances. Mas, o melhor mesmo daquela fase foi sem dúvida o berço-balanço junto aos primos acamados, vitimados pelas longas e saudosas doenças que nos jogavam em quarentenas: o sarampo, a coqueluche, a varicela, entre outras que não ficaram marcadas pelo prazer da hipocondria, mas pelo sabor das sopinhas, pelo calor dos pijaminhas flanelados, pelo tom alucinante dos banhos de luz vermelha, e pelo som carinhoso das histórias de reis, rainhas, príncipes e princesas, contadas por meu pai. Todas com final feliz. Daquele tempo, sinto ainda o aroma da colher de Primazin ou do Melhoral Infantil que o papai sempre fez questão de administrar, aferindo a febre com as costas da mão em concha, antes de nos ajeitar as cobertas e dar o “Deus-te-abençoe” junto ao beijo de boa-noite.
Entre os vizinhos, intensificavam-se os agrados e o desvelo pela troca de saborosos pratos, pelas novenas, passeatas, pelos passeios coletivos e piqueniques.
Com os amigos, as noites de serestas e das boates permeiam as páginas das boas recordações. Os dias de passeios e banhos de cachoeiras, muitos deles às escondidas, pincelam de tom lírico a infância e a juventude.
Para mim, ter sido adolescente nos anos 70 foi uma dádiva: os valores eram outros: passeávamos nos jardins, vestíamo-nos impecavelmente, cuidávamos dos penteados e aproveitávamos intensamente os dias de bailes.
Paralelamente a essa vivência feliz e plena, cursei o primário e o ginasial como leitora, ou, melhor, devoradora de livros, sob o privilégio familiar de ser considerada muito inteligente, só porque naquela época essa característica se aplicava a quem tinha facilidades para memorizar.
Fui oradora de todas as minhas turmas, até terminar o curso Normal, também porque era fascinada por declamar belos textos e poemas.
No ano seguinte àquele em que me tornara professora, aos 18 anos, iniciei o Curso de Letras por vocação e me casei, iniciando-me também como professora de Português e Literatura, profissão que ainda exerço.
Atualmente, meu trabalho como professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira inclui 28 anos de experiência em Ensino Médio, dez anos em curso superior, e cinco em cursos de pós-graduação, sendo a maior parte destes dedicados à leitura desse contexto e ao trabalho com leituras diversas no meio acadêmico, cuja amostra pode ser encontrada no texto publicado em 2004: A Língua Portuguesa no ensino médio público: reflexões (Editora da UFV).
Entre outros trabalhos, analisei comportamentos da personagem feminina traída, em análise comparativa entre a Medéia de Eurípides e a Medéia de Chico Buarque e Paulo Pontes, estudo que revela a índole primitivista e de cultura internalizada da mulher traída, independente de quaisquer outros valores.
Sendo particularmente memorialista, saudosista, atenta e curiosa em perceber a relação dos meus alunos com as próprias origens e a cultura, observei o distanciamento que vinha e vem ocorrendo entre as bases familiares e socioculturais.
Constatei essa falta de entrosamento, ou total ausência, no ano de 2005, em sala de aula da 3a série do Ensino Médio, em conversa informal, quando pouquíssimos alunos se revelaram conhecedores do histórico da terra natal e das origens familiares. Por isso, optei por acessar essa via, pedindo em três turmas que produzissem um texto regionalista, escrevendo um caso fantástico contado por familiares mais idosos ou pelos pais.

Acreditei que essa atividade me serviria para promover um diálogo com valores e elementos que permanecem nas entrelinhas da história de cada um, viabilizando o reconhecimento simbólico de suas singularidades, além de permitir um reencontro com uma valiosa produção “literária”, oriunda da oralidade, em vez de simplesmente perpetuar a imitação do que lemos ou ouvimos.
Foi desses textos que surgiu um dos capítulos da minha dissertação de Mestrado em Literatura, intitulada: Contos e Casos Populares: A ficção literária como instrumento de leitura da memória e identidade cultural mineiras. Considero este trabalho minha produção mais esmerada, embora ainda não tenha sido publicada, pois, além da paixão despertada pelo tema, dela participaram a orientadora: Dra. Francis Paulina, a Co-orientadora: Professora Dra, Therezinha Mucci Xavier, e o conselheiro: Dr. José Carlos Santos Azeredo. Estes dois últimos também meus orientadores no Mestrado em Língua Portuguesa, com quem os laços acadêmicos extrapolaram-se pelos vieses do respeito, do carinho e da amizade.
No percurso das Pós-Graduações, publiquei diversos estudos voltados aos contos e casos populares, privilegiando o regional e o universal na literatura de Minas. Essa dedicação levou-me a um grande interesse pelo estudo do conto brasileiro – principalmente fantástico, extraordinário e misterioso – que pretendo descrever.
Escrevo alguns versos nas horas vagas, e tive poemas em Momentos diversos, publicado pela Editora da UFV, e também contos, em Encontros em contos, coletâneas elaboradas pela Editora.
Em 1997, fui agraciada com um diploma do Concurso Assis Chateaubriand, que teve como tema “Minha cidade, minha vida”.
Paralelamente às carreiras docente e acadêmica, há mais de 20 anos, trabalho com assessoria e revisão de produção acadêmica, principalmente para o Centro de Produções Técnicas – CPT e para professores e estudantes da Universidade Federal de Viçosa.
Outra atividade que me é bastante prazerosa é a reedição dos livros que integram os cursos do CPT. Os temas são diversificados e instigam muito estudo, criatividade, ilustrações e harmonia com os filmes e o público diferenciado, conforme as séries trabalhadas. Até o ano de 2008, elaborei e escrevi o texto para reedição de mais de 30 deles, sendo alguns muito afins à minha formação: Comunicação para o Sucesso Pessoal – Programação Neurolinguistica, Leitura Dinâmica, Treinamento de Recepcionista e Gerenciamento do Tempo entre outros.
Junto ao colega de mestrado e amigo, Jair Gomes de Souza, organizamos uma coletânea Folclore e Literatura, com nossa participação e de outros cinco escritores, já impressa, mas ainda por ser lançada.
Outros projetos estão a caminho, e posso assumir minha grande dificuldade em opinar sobre o mais prazeroso: se ler, ouvir, falar ou escrever. Mas posso assegurar que a minha felicidade está estritamente vinculada a essas atividades.
Em resumo, nas letras e nas palavras, encontro-me e me construo, e, nessa construção, sinto, a cada minuto, renovada a minha formação, em que se estruturam pontos de partida que me impulsionam à projeção de novas experiências.

Rozimar Gomes da Silva FerreiraDISCURSO DE POSSE 5-12-2008

 

Discurso de Posse

DISCURSO DE POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE VIÇOSA
por: Rozimar Gomes da Silva Ferreira

Digníssima Presidente da Academia de Letras de Viçosa;
Senhoras e Senhores Acadêmicos;
Digníssimas Autoridades,
Prezada neo-acadêmica Jacyra Sant’Anna
Queridos familiares, estimados amigos,

Dedico a minha fala, neste instante tão solene e ufano, primeiramente a Deus que iluminou o percurso desde grandioso troféu, em respostas a minhas orações, quando eu dialogava com Ele indagando se não havia de merecer, pelos feitos da minha vida, um outro pequenino reconhecimento. Ele, poderoso, respondeu que me daria muito mais. E, novamente, a Ele pergunto: Deus, Oh Deus, por favor, responda: Mereço tanto? Pareceu um sonho... Custou-me acreditar.
Prossigo, dedicando a todos os senhores, senhoras e jovens, que ora me escutam, a tamanha honra de estar perante aos meus e a este auditório, com a aquiescência destes Acadêmicos que formalmente me elegeram, não só para tomar posse na Cadeira 38, mas para fundá-la.
Volvi o olhar a minha contribuição, consoante os propósitos da Academia, e observei que no tocante à Língua Portuguesa desenvolvi um trabalho amplo, envolvendo mais de 2.000 participantes, mas pelo qual já obtive muito mais que esperava. E, na literatura, como a maior parte dos meus trabalhos são científicos, pensei: Eu PRECISARIA fazer algo... o tempo passou, e eu me vi a uma semana do dia de hoje, quando repeti a mim mesma: Eu PRECISO fazer algo. E fiz. Tentei responder ao significado desta posse para a minha vida com este modesto exemplar, que ora ofereço, carinhosamente, a cada um de vocês, e que poderia ter sido intitulado “Cinco dias e cinco noites” assinalando esta nova responsável etapa.
A grande afeição por meu patrono surgiu na infância tão logo comecei a ler com maior desenvoltura, e não se passaram três dias até que eu memorizasse pela primeira vez o seu poema intitulado “Plutão”. Foi o meu primeiro contato com a palavra escrita em versos, e com seu significado. Muitas vezes, ao declamá-lo, cheguei as lágrimas.

Negro, com os olhos em brasa,
Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.
(...)
Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.

Talvez esta tenha sido a oportunidade de aprender a primeira lição de fidelidade. O “dono” do cão, Carlinhos, adoece, morre e é enterrado. O Plutão some, quando o encontram, lá estava ele, juntinho ao seu dono, sobre a sua sepultura. Estes versos justificam a sabedoria popular de que o “cão é o melhor amigo do homem”.
Dezenas de outras lindas poesias do autor tornaram-se minhas diletas companheiras, e com elas eu travava proveitosos diálogos, a exemplo da “Ave-Maria”.

Meu filho! termina o dia...
A primeira estrela brilha...
Procura a tua cartilha,
E reza a Ave Maria!
(...)
E que dê vida a teus pais!
Ave Maria!... Ajoelhado,
Pede a Deus que, generoso,
Te faça justo e bondoso,
Filho bom, e homem honrado;
(...)
Que teus pais conserve aqui
Para que possas, um dia,
Pagar-lhes em alegria
O que sofreram por ti.
Reza (...)
"Hoje, pratiquei o bem:
Não tive um dia vazio,
Trabalhei, não fui vadio,
E não fiz mal a ninguém."

Configurou-se assim a obrigação de agradecer a Deus, todas as noites, proceder à avaliação do bem praticado durante o dia, fazer a prece pelos pais e o dever de retribuir a eles o que sofreram.
À pátria, e à bandeira, harmoniosos cantos foram dedicados e os livros e a escola, das décadas de 60 e 70 do último século, realçaram-nos.

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
(...)

Diversos outros valores, sem dúvida, foram enriquecidos, quanto mais eu procurava ler os poemas do meu escritor predileto: Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac.
Olavo Bilac, que nasceu no Rio de Janeiro, em dezembro de 1865, na rua Uruguaiana, filho do cirurgião do Exército Brás Martins dos G. Bilac e de Delfina Belmira dos Guimarães Bilac.
Por ocasião de seu nascimento o pai estava na Guerra do Paraguai, retomando em 1870, conhecendo o filho já aos 5 anos.
Estudou medicina até o quarto ou quinto ano, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro com apenas quinze anos, com autorização especial, mas decidiu ir para São Paulo cursar Direito, que também não concluiu. O seu fascínio pelas letras era declarado e muito mais forte, levando-o a abandonar os estudos e seguir a carreira literária e jornalística, colaborando com jornais do Rio e de São Paulo.
Essa postura levou-o a uma ruptura com o pai que o desejava médico, para que tivesse estabilidade futura.
Olavo Bilac escreveu muitas poesias infantis e educativas e também uma para cada mês do ano. Foram vários os temas abordados.
Comprovadamente, quem assimila uma temática ou conteúdo a um poema consolida significativamente o conhecimento sobre o assunto, de tal forma, que sempre o associo às considerações sobre o dia da árvore, do livro, de Anchieta, da poesia, da primavera, da avó, da escravidão, e a muitas outras reflexões sobre a natureza, o respeito, a língua portuguesa e as responsabilidades sociais. Além do Hino à bandeira Nacional, com estes versos:

Salve, lindo pendão da esperança!
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

O que o autor deseja é que se reconheça em sua obra a boa vontade com que um brasileiro quis contribuir para a educação moral do seu pais.
Mário de Andrade admitiu encantamento pelo poema "Via-Láctea" e considerou o poema "O Caçador de Esmeraldas" o "esplendor dos esplendores", declarando que "sua perfeição supera os limites da realização integral da beleza. Fascina e deslumbra". E observa ainda:

"Na fala sobrenatural que consola a morte de Fernão Dias, há mesmo uma comoção ondulante, uma frescura impetuosa de mar:

Morre! Morrem-te às mãos as pedras desejadas
Desfeitas como um sonho, e em lodo desmanchadas...
Que importa! Dorme em paz que o teu labor é findo.
Nos campos, no pendor das montanhas fragosas,
Como um grande colar de esmeraldas gloriosas
As tuas povoações se estenderão fulgindo!
E subjugando o olvido, através das idades,
Violador de sertões, plantador de cidades,
Dentro do coração da pátria viverás...

Bilac quando chegou a essa parte do poema estava comovido. Incendiavam-lhe a alma, chicoteavam-lhe o espírito os arremessos de amor á pátria, sentimento em que foi constante e sincero toda a vida (...)”
Olavo Bilac encantou na sua época e até hoje encanta com seus versos e suas crônicas, de forma que muitos de nós tivemos com ele a nossa iniciação intelectual.
Estudiosos afirmam que a reflexão e maturidade do poeta aconteceram no limiar da velhice, quando se dedicou plenamente às campanhas educativas e ao serviço militar obrigatório. Até então consideram que ele tenha cultuado fervorosamente o seu amor, de forma erótica, “sob as estrelas do céu”, tão recorrentes em seus versos.
Afrânio Peixoto interpreta os versos amorosos de Bilac como as mais proclamadas expressões do amor real que cultivara durante toda a sua vida por Amélia, irmã de Alberto de Oliveira, um de seus maiores amigos. Fora um amor secreto, sem nenhum impedimento social, mas que não se concretizara, embora tivessem tido um curto noivado. Depois de romperem, o amor ficou marcado por um único encontro, que se rompeu, quando ela apareceu, no velório, vestida de preto e velada, misteriosamente, e se aproximou, “descobriu-se, contemplou longamente o poeta adormecido, beijou-o, recompôs-se e saiu.” Para Afrânio Peixoto, a sensoridade excessiva dos versos são a sublimação daquilo que a realidade não permitiu ao poeta.
É notável na sua poesia a influência de mestres franceses e da tradição lusitana. Por este viés, valorizou a perfeição técnica, utilizou a sintaxe conforme a gramática portuguesa, optou por usar a rima rica e as formas fixas escultóricas, de forma que a sua poética nunca foi igualada.
Em 1913, foi eleito, por um colegiado de escritores, o Príncipe dos Poetas Brasileiros, tendo o orgulho e a alegria de ter seus poemas como os mais lidos nos saraus e salões literários, da virada do século XIX para o XX, revelando a grande popularidade de seus versos.
As sucessivas reedições de seus livros comprovam que são muitos os que apreciam a sua produção literária, elaborada em uma das fases mais ricas da poesia nacional, a parnasiana.
Observando, portanto, o inicialmente referido objetivo maior da Academia de Letras de Viçosa, de “estimular e engrandecer os valores autênticos, que tenham contribuído para o aprimoramento da Língua Pátria e da literatura”, verifiquei que não há na literatura outro nome que some tantas contribuições a nossa história, e a minha, em particular, quanto o de Olavo Bilac.
Ele, sim, contribuiu para o aperfeiçoamento da língua e da literatura das mais diversas formas: cultuou a língua, esmerou os versos, homenageou a pátria, escreveu dicionário, gramática, livro didático, contos, crônicas, poemas infantis e educativos.
Olavo Bilac participou com Machado de Assis da Fundação da Academia Brasileira de Letras, e, como membro fundador, ocupou a Cadeira no 15 cujo Patrono é o poeta Gonçalves Dias.
Para finalizar esta fala, além de agradecer novamente a Deus e a todos presentes, e aos muitos queridos amigos e familiares que, por motivo de força maior, não puderam comparecer, e me enviaram mensagens maravilhosas, votos de desempenho e flores, eu gostaria de dizer: boa-noite, boa-noite, boa noite, e assim diria até o dia amanhecer, mas o meu cumprimento conclama a cortesia de ser extensivo ao meu patrono, Olavo Bilac, no plano da espiritualidade, por isto, optei por me despedir, trazendo-o entre nós pelos conhecidos versos:

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso." E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: - Tresloucado amigo.'
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? "
E eu vos direi:- "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Muito Obrigada.

 

Publicações no Site:

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Publicado em

Luzia

(13/11/2009 22:30:00)

Carlos Gomes - Meu Pai

(13/01/2009 20:24:49)

A rima e o poema

(13/01/2009 20:01:33)

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