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Membro fundador da ALV, ocupante da Cadeira nº 17. Nasceu em Coimbra, Brasil, MG, a 29 de dezembro de 1941, sendo filho de No-êmia Teixeira Carvalho e José Simões Carvalho. São seus irmãos: Ilídio, proprie-tário da Gráfica Santa Clara, em Viçosa, MG; Marlene e Aparecida.
Na infância, Pélmio morou na Rua das Flores onde seu pai, José Simões (Zé do Ilário) tinha um vasto estabelecimento de secos e molhados. Ainda criança, resi-diu na Rua de Baixo, atual avenida Ernesto Lopes, e brincava, jogando bolinha de gude e precipício, na varanda do casarão de seu avô Ilídio Teixeira, com Ex-pedito Chumbinho, Bianinho, Aloizio Andrade, Toninho do Isolino e outros. De quando em quando umas escapulidas na casa do vô Ilário.
"Coimbra não deixou de marcar uma fase ditosa de minha vida. Realmente, fica escondido no coração o que vivemos na infância". - disse Pélmio.
No Grupo Escolar de Coimbra, iniciou as primeiras letras, concluindo-as em Vi-çosa, onde fez também o ginasial e o colegial.
Aos quatorze anos de idade já trabalhava em artes gráficas, sendo criador e editor da Folha de Viçosa Ltda.
Jornalista versátil, fundou juntamente com o padre Antônio Mendes o jornal Fo-lha de Viçosa, atual Folha da Mata, semanário de tradição, que vem circulando por este Brasil afora desde 1963. Sua têmpera de jornalista forjou valores, hoje espalhados pelos diversos setores gráficos e de comunicação em Viçosa e cida-des circunvizinhas.
Casou-se com Maria do Carmo Soares Carvalho com quem teve os filhos Elissa, Pélmio e Marco Túlio.
Combatido por uns, admirado por outros, Pélmio demonstra largueza de senti-mentos compatível com os amplos horizontes do jornalismo. Foi professor de História Geral e do Brasil no Colégio de Viçosa e na Escola Normal N.S. do Carmo; ex-Presidente da Associação Comercial; membro de várias associações, e da Academia de Letras de Viçosa.( Do livro Coimbra: gente, história, lendas, de Maria Aparecida da Silva Simões. Academia de Letras de Viçosa.1996.
Ainda sobre o biografado vale a crônica de seu confrade da Academia, José Dio-nísio Ladeira:
"... Mas só conheci o Pélmio no início do ano de 1956. Ele tinha 14 anos, eu qua-se 25 e ambos cursávamos a primeira série ginasial no Colégio de Viçosa de mui-tas saudades, acompanhados de uma meninada dos diabos, todos ali em torno dos 11 anos.
Pélmio tinha nascido exatamente em Coimbra, ficado órfão de pai, a mãe casara-se em segundas núpcias, morava em Cajuri, percorrendo o Pélmio - quantas ve-zes! - o velho traçado da estrada de ferro entre Cajuri e Silvestre, passando pela "Estação Velha" sempre a serviço, no lombo de um fogoso corcel.
Naquele 1956 eu já tinha uma década de correios e quase meia de lutas outras, enquanto Pélmio também tinha um bom tempozinho de tipógrafo com o Toni-quinho.
Daí, quando se pensou em editar O Dinamite, a molecada do Colégio de Viçosa ter elegido, sim, Xico, para redator, mas Pélmio o houvera sido, sim, para diretor - aquele que se encarregaria da impressão do jornal.
(Foi aí que ele escreveu para o primeiro número do jornal o célebre editorial nar-rando o suicídio da cavalo do Higino, pai do Murrudo... E eu - a pedido do Lo-pes - tive de dar uma de ombudsman nele!)
Pélmio não tinha fama de ser bom em português. Eu, sim. Simão, sim. Jurany, sim. Francisquinho, filho do Professor Gonçalves, sim. Outros, sim. Outrossim. Mas Pélmio, não! Pélmio era bom em Geografia. Em História.
Pélmio era capaz de, provocando o Professor João Luiz, discorrer sobre grandes, médias e pequenas cidades brasileiras, saindo de Viçosa, passando por Juiz de Fora, São Paulo e chegando tranqüilamente a Tubarão, em Santa Catarina. Para a turma, não podia haver coisa melhor.
Pélmio era capaz de, imitando "Seu" Pedrinho, discorrer sobre o Tratado da Trí-plice Aliança e a Guerra do Paraguai, enchendo de orgulho a pátria amada idola-trada salve salve, sem que ficássemos sabendo que ali se cometera um dos maio-res genocídios da história da humanidade. Para a turma não podia haver coisa pior.
Na prova oral de fim de ano, João Luiz o dispensava: - Senhor Pélmio, o Senhor tem 10. Já "Seu" Pedrinho dava-lhe o gozo: - Quais são mesmos os quatro evangelistas?!
É que "Seu" Pedrinho contara a estória - do Zé Turquinho - que respondera: "Os quatro evangelistas são três: Esaú e Jacó." Depois a turma alterou para: "Os qua-tro evangelistas são três: Esaó e Jacu." E Pélmio confundira a piada, afirmando: - Os quatro evangelistas são três Esaó e Janu...
Naqueles últimos anos da década de 50 - quando fizemos o ginásio - praticou-se no Colégio de Viçosa a democracia plena. Os dirigentes do "Grêmio Artístico e Literário Arduíno Bolivar" - GALAB eram eleitos; os dirigentes d'O Dinamite, eleitos; os responsáveis pelo teatro, eleitos; os dirigentes da Associação Esporti-va Colégio de Viçosa - AECV, eleitos; a rainha dos estudantes, eleita; os dirigentes da União dos Estudantes Secundários de Viçosa - UESV, que congre-gava os discentes do Colégio, da Escola Normal e do Agro-Técnico, também eleitos.
No início dos anos 60 - estando já em Juiz de Fora - fiquei sabendo que Dr. Ja-nuário, diante de certas situações, andou fazendo algumas intervenções, estabele-cendo um regime que a turma batizou de "janucracia".
Xico é que já era peitudo: - Mas, doutor, e a lei?! E Monsieur Janu, batendo no peito: - François! François! La loi c'est moi! Estabelecida a janucracia, Pélmio era sempre o encarregado de substituir os subs-tituídos...
Depois soube-o professor de História da Escola Normal, tendo, inclusive, numa emergência, "cometido" algumas aulas de Literatura...
Já estava pronto para gozá-lo quando, fazendo vestibular para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em Juiz de Fora - eu para Letras, ele para História e Guy Capdeville para Filosofia -, eis que, honrando a terra, empatamos na melhor nota da prova discursiva de português: eu, não obstante a modéstia me dizer para não dizê-lo; Guy como soía acontecer; Pélmio para meu azar e surpresa de todo mundo e, sobretudo, do Lopes.
Mas logo logo ei-lo de volta à terra, agora - ainda bem - professor de História do Colégio de Viçosa e diretor da Folha tão viçosa, que procura a integração da Mata, o que acaba por absorver o professor, tornar obsoleta sua grande biblioteca e transformá-lo no empresário bem sucedido. - Meu patrão, apóie os pulsos na cabeça, abane as mãos e diga: - Nem tanto, mestre! Nem tanto, mestre!
Casa-se com Maria do Carmo, uma ex-aluna que se encantara com suas aulas. Têm três filhos já emancipados. Uma Editora consolidada. Uma Folha da Mata que consegue o grande milagre de autofinanciar-se. O milagre maior de se man-ter neutra na efervescente política local. De - o que é quase impossível, mas qua-se sempre acontece - agradar a gregos e baianos.
O nome é sem dúvida trabalho e competência.
Peemedebista inveterado, Pélmio sempre militou no Partido que é um Movimen-to, outrora de reconhecida importância para a Democracia Brasileira e do qual, como delegado, já participou de convenção em Brasília. Também já "cometeu" candidaturas à vereança, a primeira das quais ficou célebre, quando disputou com, entre outros, Zeca Floresta. - Precisamos eleger o Zeca de qualquer maneira!
De todos, Pélmio era quem tinha menos tradição política. Menos aspiração. Em-bora com o jornal na mão tivesse sua eleição praticamente garantida.
Daí ter-se prestado ao sacrifício. De cada grupo de meia dúzia de três ou quatro votos certos, sempre pedia que um ou dois fosse(m) destinado(s) ao Zeca.
E, no dia da eleição, colocou seus dois carros à disposição dos cabos eleitorais do Zeca.
No frigir dos ovos, surpreendentemente, Zeca foi eleito com uma sobra de mais de 400 votos, enquanto Pélmio perdia por quatro votos.
E rodinha pronta na Praça Silviano Brandão, eis que se aproxima o Zeca para consolá-lo: - Ó Pélmio, pru que ocê num falô cumigo?! E tirando o sarro: - Menino bão assim igual a ocê eu tenho caxa para elegê uns três ou quatro... |