Segundo ocupante da Cadeira nº 06, fundada por Carlos dos Reis Baeta Braga (Padre Carlos), cujo patrono é Dom Silvério Gomes Pimenta. Eleito a 26 de dezembro de 2003, e empossado no dia 26 de abril de 2004, sendo saudado pelo Acadêmico Wantuelfer Gonçalves.
Professor da Universidade Federal de Viçosa nos cursos de graduação e de pós-graduação, do qual foi coordenador. É também pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa – o CNPq. Foi Pró-Reitor de Assuntos Comunitários na UFV, tendo abdicado, em março de 2004, para concorrer ao cargo de Reitor.
É para mim uma satisfação muito grande estar novamente aqui para saudar mais um novo integrante da nossa Academia. Minha satisfação se faz maior porque o novo acadêmico é o professor Luiz Cláudio Costa, companheiro de docência da Universidade Federal de Viçosa.
Imagino a reciprocidade dessa satisfação por parte do Luiz Cláudio ao adentrar, hoje, os portais da Academia. Ter o seu trabalho reconhecido, ombrear conosco nessa missão de elevar as letras e a cultura em Viçosa.
O processo de seleção dos nomes para composição dos quadros da Academia, pode-se ver ou pode-se imaginar, não é tarefa fácil em razão da plêiade de escritores que temos em Viçosa, fruto, naturalmente, desse ambiente cultural que respiramos. Assim, ser escolhido para membro da Academia de Letras de Viçosa tem sido, para os escolhidos, motivo de satisfação e de júbilo.
Quero, nessa ocasião, testemunhar o trabalho incansável da nossa presidente que vem trabalhando com afinco para o melhor destino da instituição, tanto na composição dos quadros quanto nas lides burocráticas das reuniões, dos eventos, das publicações. Parabenizo a Academia, nesse momento, pela felicidade nas escolhas de nossos representantes, como agora, com a posse do prof. Luiz Cláudio.
Luiz Cláudio nasceu em Belo Horizonte a 16 de janeiro de 1958, e Viçosa, onde vive a maioria de seus familiares, foi premiada quando ele aqui foi fixado em residência em 1960.
Casado com Mara Suely Gomide Costa, o casal tem, no momento três filhos: a Andressa, o Diego e a Bianca.
No campo profissional, Luiz Cláudio é engenheiro com doutorado em meio ambiente pela Universidade de Reading, na Inglaterra, atuando na área de meteorologia agrícola e nas questões ambientais. Na UFV, é professor nos cursos de graduação e de pós-graduação, tendo sido coordenador desse último entre 1994 e 1999. Publicou mais de 50 trabalhos científicos em periódicos nacionais e internacionais e é autor de mais de 600 artigos de extensão em revistas e jornais do Brasil e do exterior. Participou e participa como palestrante, sempre convidado, e como apresentador de trabalhos em diversos eventos nacionais e internacionais.
Foi Pró-Reitor de Assuntos Comunitários na UFV de novembro de 2000 a março a de 2004, tendo abdicado para concorrer ao cargo de Reitor. Durante esse período, sua administração foi sempre pautada pela coerência e pela luta incansável em prol de uma melhor qualidade de vida para toda a comunidade universitária. Avanços significativos foram observados, principalmente no tocante à vida estudantil.
Mas a sua maior característica não está nas ciências exatas, senão nas humanidades e na sua vocação como educador ímpar: aquele tipo de educador do qual o nosso sistema de ensino é tão carente. Assim, temas como Educação integral, Ecologia humana, Espiritualidade, Paz interior, Paz social e Paz ambiental ele tem apresentado em universidade, escolas, organizações religiosas e não governamentais do Brasil e do exterior, com mais de 500 palestras já proferidas.
Sua atuação, entretanto, extrapola os limites da teoria e ele traz, para a prática, os seus conhecimentos e os valores nos quais acredita. Assim, ele é coordenador, numa gestão iniciada em novembro de 2001 e que deverá ir até novembro de 2005, do Movimento Internacional pela Paz e Não Violência de Viçosa, tendo já liderado algumas passeatas e manifestações de grande impacto para a cidade. São contundentes, ainda, as suas atuações junto a entidades não governamentais e às comunidades menos favorecidas, implementando técnicas de auxílio à inclusão social
Luiz Cláudio é presidente, desde maio de 2001, da Casa de promoção e Caminho Bezerra de Menezes, uma entidade que trabalha na recuperação de dependentes químicos, utilizando o método da educação integral e dos valores humanos.
No campo da literatura, Luiz Cláudio é autor de vários capítulos de livros e dos livros A educação do amor, já em terceira edição, e Jesus, o educador.
Em A educação do amor, Luiz Cláudio é claro e, objetivo, didático e elegante. Sua escrita é leve, solta e ela aborda o tema sem moralismos e sem imposições religiosas. O livro, como bem aponta Hermógenes no prefácio, foi escrito com amor, em prol do amor e chega ao leitor impregnados de amor. Luiz Cláudio se apoiou no ensinamento dos mestres, mas o seu texto tem características muito próprias do educador, do espiritualista, do escritor. É uma leitura agradável que permanece, que faz pensar, que causa mudanças. O autor fala com propriedade porque vive o que fala e, por isso mesmo, o livro está inteiramente contextualizado com o que disse Paulo na sua carta aos Coríntios. Luiz Cláudio fala, no seu livro, a língua dos homens e a língua dos anjos, porque ela não apenas fala de amor, mas fala com amor.
Em Jesus, o educador, Luiz Cláudio analisa a personalidade de Jesus do ponto de vista pedagógico, de como ele utilizou de exemplos simples como a semente de mostarda, as aves do céu e os lírios do campo pra instruir não só o povo de sua geração, mas todas as gerações seguintes. O autor ressalta a grande diferença existente entre Jesus do altar de pedra e o Jesus espiritual. Ele analisa, com pormenores e exemplos, o desapego, a globalização, a serenidade, o amor ao próximo, o sentido da existência e a proposta redentora na pedagogia utilizada por Jesus como educador. Assim, o livro é um convite para que todos adotem Jesus como mestre pessoal. E essa proposta tem fundamento, pois, quando nada, como disse o próprio Jesus, o seu fardo é leve e o seu jugo é suave. Vivemos, agora, a expectativa de que Luiz Cláudio continue a nos brindar com suas obras maravilhosas.
Hoje temos aqui, à nossa frente, o Luiz Cláudio ao vivo e em cores. Mas se assim não fosse, se ele aqui não estivesse, como poderíamos identifica-lo por aí? Faríamos como se faz para encontrar qualquer pessoas, ou seja, seguindo-se-lhe os passos, procurando-se-lhe as marcar, rastreando-se-lhe as pegadas.
Pois bem! Encontrar o Luiz Cláudio é muito fácil: um rastro de luz denuncia-lhe a presença.
Caríssimo Luiz seja bem-vindo ao nosso convívio, Cláudio!
Discurso de Posse
Quando recebi o honroso e imerecido convite para a adentrar as portas da Academia de Letras de Viçosa, não pude deixar de rememorar Voltaire, que relata que a Academia Francesa de Letras, que serviu como inspiração para a criação, em 1897, da Academia Brasileira de Letras, não criada prioritariamente como um espaço de ordem intelectual, mas antes de tudo como um espaço de ordem cordial, um círculo de bons amigos. Afinal, somente a cordialidade e a fraternidade dos membros da Academia de Letras de Viçosa pode justificar a nossa escolha para tão significante honraria.
Ser convidado a participar da Academia de Letras de Viçosa é antes que uma honraria, uma grave responsabilidade para com a memória, a abnegação, a dedicação e a sabedoria daqueles que na noite de 23 de novembro de 1985 deram a cidade universitária um espaço para se discutir cultura e espiritualidade em seu sentido mais transcendente. A esses homens e mulheres construtores da história, bem como a todos aqueles que passaram a fazer parte da Academia desde então, os meus eternos agradecimentos.
A alegria de ser convidado a me tornar um membro da Academia de Letra de Viçosa, torna-se ainda maior por ter como Patrono um homem de Deus, um homem que buscou com sua vasta cultura nos ensinar sobre os valores da alma: Dom Silvério Gomes Pimenta. Nascido em 12 de janeiro de 1840, em Congonhas do campo, Minas Gerais, Dom Silvério teve que desde cedo, tendo perdido o pai aos quatro anos, trabalhar para sustentar a mãe e os quatro irmãos menores. O labor diário e estafante não impediu que desde cedo Dom Silvério mostrasse o seu pendor para o estudo. Afilhado de Batismo de Dom Viçoso entrou para o Seminário de Mariana aos 14 anos. Dois anos depois já era professor de latim, cadeira que ocupou durante 28 anos. Além de Latim foi professor de Filosofia e História Universal.
Foi ordenado, por Dom Viçoso, aos 22 anos, em 1862, tendo a partir daí uma destacada atuação como pastor de almas no seio da Igreja Católica, sendo o primeiro bispo consagrado depôs de proclamada a república.
Desde então, começou a escrever as sua celebres cartas pastorais. A primeira pastoral data de 24 de novembro de 1890, a partir dai, os versos latinos, as cartas pastorais e os artigos na imprensa, o levaram, em 30 de outubro de 1919, a ser eleito para a Cadeira 19 da Academia Brasileira de Letras, sendo o primeiro membro da Igreja a tomar assento entre os consagrados escritores da Academia. A sua obra literária continuou intensa até os últimos dias de sua caminhada terrena, sendo a sua ultima carta pastoral de 10 de fevereiro de 1922, seis meses antes do seu falecimento que se deu em 30 de agosto de 1922.
Ter como patrono um ser de luz do brilho de Dom Silvério nos faz volver os olhos e a mente para a grande necessidade do mundo atual, a reconciliação entre a ciência, a cultura e a espiritualidade. Professor, jornalista, biógrafo, poliglota, orador e poeta, Dom Silvério jamais se deixou levar pela vaidade, ao contrário, sempre praticou a humildade dos verdadeiros sábios.
Dom Silvério sempre buscou em suas obras nos guiar para um mundo mais justo e fraterno, assim como um outro Dom de Deus, Dom Hélder Câmara, peregrino da paz e irmão dos pobres que no dizia que “Temos de entrar no terceiro milênio sentados à mesa, comendo, saudáveis, fraternos, abrigados do frio, da chuva e do vento”.
Traz-me ainda profunda alegria o fato de estar adentrando a Academia de Letras de Viçosa para ocupar a cadeira número seis, pertencente desde a fundação, a um dileto amigo, Padre Carlos dos reis Baeta Braga, de quem, trago as mais gratas memórias das missas dominicais na matriz de Santa Rita de Cássia, as quais tive a oportunidade de auxiliar como coroinha pelos idos dos anos 70. Permito-me ainda recordar dos trabalhos sociais que Padre Carlos tão bem e anonimamente conduzia a frente de sua paróquia.
Pastor de almas, poeta, educador e professor, Padre Carlos deu um brilho à cadeira número seis que eu peço antecipadamente desculpas aos senhores por não ser capaz de manter.
Em esse momento de rara alegria não poderia deixar de me referir aos meus amigos e familiares pela presença em todos os momentos de minha caminhada bem como nessa oportunidade.
A minha esposa Mara, aos meus filhos Andressa, Diego e Bianca, os agradecimentos de um marido e um pai que muito os ama.
Aos meus saudosos pais os meus eternos agradecimentos pelos ensinamentos dos caminhos retos e da fraternidade. A minha irmã Toninha os agradecimentos pela amizade e companheirismo.
Aos membros da Academia de Letras de Viçosa os agradecimentos por me permitir com eles dividir espaço tão nobre.
A comunidade de Viçosa pela acolhida, alegrias e ensinamentos nos anos de minha vida.
A Deus pela verdadeira academia e sabedoria da criação, da fraternidade e do amor.