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Cirene Ferreira Alves
Cirene Ferreira Alves
   
Publicações no Site Discurso de posse Patrono: Guimarães Rosa Cadeira 07 Envie um e-mail para este membro

 

Escritora de estilo inconfundível, Cirene cultiva as letras e, com elas, ornamenta a profundidade das idéias, em suas diversificadas crônicas. Fundadora da cadeira nº 7, patrocinada por Guimarães Rosa, é a secretária-geral da Academia de Letras de Viçosa, ALV. O confrade e cronista, José Dionísio Ladeira, prefaciando sua biografia, assim se expressou sobre a autora: "... Os verdadeiros líderes da comunidade não são bem os que ocupam as siglas dos partidos, as páginas dos jornais, as ondas da Montanhesa e, às vezes, até o vídeo da Globo..."

Cirene Ferreira Alves nasceu no Fundão, hoje São José do Triunfo, em dezembro de 1920, filha de Joaquim Leandro Ferreira e de Argina Silvino Ferreira. Criada à luz de lamparina, só conheceu do conforto moderno o telefone: um caixote grande pregado à parede, ao chamado do qual o velho Simão atendia lá em Viçosa para os chamados do padre, para unção ao agonizante, e da polícia, para prisão de criminosos.

Lá, Cirene fez o primário: quatro anos apenas, mas um senhor PhD..., até iniciação em francês o aluno podia ter em aulas noturnas. Conhecia-se o Rio São Francisco desde a nascente até desaguar no Atlântico, com todos os seus afluentes, os trechos navegáveis; enfim, o rio de integração nacional, mineiro de nascimento, orgulho da meninada. Olavo Bilac e Coelho Neto não tinham segredo para Cirene. Íntimos, partilhavam o mesmo patriotismo sadio, sem nenhuma patriotada. Pensavam igual e, por igual, amavam o Brasil, a justiça, a verdade, o direito, o respeito ao direito do próximo, à religião e a todas as raças.

Das doenças infantis, curadas com as benzeções mais estranhas, a pior delas foi a tosse comprida – tratada a chá de jasmim de cachorro, colhido bem cedo, ainda molhado do orvalho da noite. O jasmim mais procurado era do cachorro Oruváio, de posse do amigo João Batista, padrinho do irmão Guido.Em Viçosa, aos 14 anos, Cirene iniciou, na Escola Normal Nª Sª do Carmo, estudos mais avançados que lhe deram o título de normalista, em 1938. Diga-se de passagem, na pior turma de estudantes que as coitadas das freiras conheceram. Muitos degraus para o céu a Madre Glória subiu nas costas da turma que Cirene liderava. Era líder mesmo, com medalha no peito identificando-a como tal, acrescida de honra ao mérito. O mérito era de infernizar a vida das freiras...

Formada, catou "bico", aqui e ali, para sobreviver. Casou-se, em 1950, com Francisco Alves da Silva, e desta união nasceram José Carlos, Francisco Carlos, Eloá, Antônio Carlos, Paulo Henrique e Sérgio Augusto. Todos criados num ambiente de muita molecagem, mas de muito respeito e amor. Formam a família, que é o orgulho de Cirene. Destes seis filhos, cinco casados deram aos avós, até hoje, quatorze netos. Desses, Cirene se incumbe de deseducar; os pais que tratem de os corrigir, diz Cirene. Ela só quer ser criança (como os netos) e... amada!

Cirene é cronista, professora e funcionária pública aposentada em 1977. Dedica-se a serviços sociais. Foi presidente do Mobral, do Serviço de Obras Sociais, da Associação de Pais e Mestres, fundou a creche comunitária do SOS e é colaboradora do Hospital São João Batista.

 

Discurso de Posse

 

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Publicado em

Felício Doido

(27/04/2006 09:50:23)

 
Academia de Letras de Viçosa